sábado, 11 de dezembro de 2010

Brincadeira

Debaixo da cama.
Atrás da cortina.
Dentro do armário.
Nos bueiros,
Nas gavetas,
Dentro do bolso,
Atrás da porta.
Acostume-se,
Os olhos fogem.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Petit

Gosto do teu toque na minha pele
Gosto do teu hálito no meu rosto
Gosto dos teus sonhos nos meus olhos

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Citação

"Meus amores morreram
Antes de existir"

Charles Aznavour

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Inversão

Eu só queria chorar, chorar até que meus olhos escorressem pela face.
Queria que essa coisa que chamam de alma fosse uma besta engaiolada que se libertasse.
Queria que essa coisa que chamam paixão fosse um pássaro que se mata com uma pedra.
Queria que isso que bate no meu peito fosse uma máquina com ponteiros.
Queria que o herói fosse aquele que se esconde debaixo das cobertas ao som do relâmpago.
Queria que a pele fosse plástico, que o nervo fosse aço, que o osso fosse gesso.
Queria que a morte fosse dança.
Queria que o mundo fosse sonho.
Queria que o corpo fosse oco.
Queria que tudo o que quero fosse o que é.

Ao Som de Um Piano

"A única diferença que existe entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho é muito mais duradouro" - Oscar Wilde


Lá fora chove.
Me encontro aqui, exausto.Chego a querer adormecer por cem anos..ou mais.
Essa vida de embalagem vazia não é o suficiente. Não é o mínimo.

Ah, se você soubesse quantas noites tenho chorado essas lágrimas secas, estéreis, carentes de fecundação. Lágrimas que jamais me rolaram a face, fracas que estão para sequer deixar o abrigo dos olhos.

Os olhos...
Ah, esses seus olhos...
Quantas noites não tiveram o prazer de beijar essas pálpebras adormecidas? Quantos céus azúis não foram refletidos pelo negrume dessas pupilas?
Esses olhos que me fazem querer perder-me, sem jamais encontrar a saída, que me fazem querer mergulhar nessa escuridão e nela me afogar.

Por que? Por que?!
Por que não me saem da cabeça esses seus olhos de corvo?
Quero parar esse precipitar que me corre nas artérias, essa dor que me pressiona o cérebro, esse ar que se excede e me sufoca, esse grito que morre antes de chegar na garganta.

Mas não, não!
Não quero! Como é doce a dor que oprime o peito.
Venha, conceda-me essa dor.
Conceda-me a dor de observar o suave arfar de seu peito adormecido.
Conceda-me a dor de perdê-lo mil vezes.
Conceda-me a dor de observá-lo partir pela manhã, sem saber se retornará.

Lá fora chove, e onde está?
Adormeceu, talvez?
Uma sombra de beijo no canto de seus lábios, e boa noite...

sábado, 17 de abril de 2010

A Peste

Peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose, anemia, rancor, cisticircose, caxumba, difteria, encefalite, faringite, gripe, leucemia.

Ele sai correndo, teme os humanos, os pulhas que se dizem feitos à imagem Daquele, nós os imundos, os grotescos e as palavras sempre entupindo arcas armários cestas... se entendêssemos o grande buraco escuro onde nos metemos, tudo seria silêncio, e só haveria boca para molhar a língua.

Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia, toxoplasmose, trombose, coqueluxe, hipocondria, sífilis, ciúmes, asma, cleptomania.

Ouço silvos, talvez um apito, e me remexo lânguido até me enterneço, porque o Sem Forma e esses sons ainda me dizem que estou vivo.

Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia, hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia, brucelose, febre tifóide, arteriosclerose, miopia, catapora, culpa, cárie, lepra, afasia.

Não poder morrer.
Nunca poder morrer.
Continuar - Cristalizado.


Titãs e Hilda - Encontro

sábado, 13 de março de 2010

Espera

Corpos, despidos de sua pele, ardem.
O seio da terra se abre em gozo e luto.
Possessão, fúria, êxtase divino.
E por fim, o doce lamber de lábios da morte, que chega, virgem, branca, e possui os corpos corrompidos pela podridão selvagem e profunda.
"Não me deixe!" grita a mulher do ferreiro, em meio aos lenços manchados.
Pétalas caem sobre as costas de cavalos decrépitos e corrompidos pelo inumano prazer de fecundar.
"Onde está mamãe? Onde está mamãe" pergunta o jovem com as pedras.

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Pare!

Mata, corrói, esquece, lembra...

"Agarra-me pelos cabelos",diz ele "se queres sobreviver".

Ela vive!
Ela vive!
ELA VIVE!!