sábado, 13 de março de 2010

Espera

Corpos, despidos de sua pele, ardem.
O seio da terra se abre em gozo e luto.
Possessão, fúria, êxtase divino.
E por fim, o doce lamber de lábios da morte, que chega, virgem, branca, e possui os corpos corrompidos pela podridão selvagem e profunda.
"Não me deixe!" grita a mulher do ferreiro, em meio aos lenços manchados.
Pétalas caem sobre as costas de cavalos decrépitos e corrompidos pelo inumano prazer de fecundar.
"Onde está mamãe? Onde está mamãe" pergunta o jovem com as pedras.

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Pare!

Mata, corrói, esquece, lembra...

"Agarra-me pelos cabelos",diz ele "se queres sobreviver".

Ela vive!
Ela vive!
ELA VIVE!!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Duplicidade

Eu já não sei mais quando eu deixo de ser eu para ser ele.
Na vida sim, mas não quando pego papel e caneta.
Essa tênue linha que nos separa...o que é?
Desculpem-me aqueles que não me compreendem.
Ou será que quem merece desculpas sou eu?
Benny, Benny...
Estás ficando louco...de amor.


Narciso acha feio o que não é espelho?

Perdão

Peço perdão por todos os crimes que não cometi, por todas as verdades que não disse, por todas as ofensas que não proferi.
Peço perdão por todas as palavras que deixei sem serem ditas, por todos os sonhos que deixei de sonhar, por todos os beijos que não roubei.
Peço perdão por todas as vezes que não gritei, por todas as lágrimas que não chorei, por tantas as vezes que não lutei.
Peço perdão pela palavra calada, sufocada na garganta, sepultada viva dentro de mim.
Peço perdão por esse grito que vem da alma mas cala, covarde, ao deparar-se com aqueles que, para ele, não têm ouvidos.
Peço perdão por essa covardia inata que freia, estaca, emudece e recua.
Peço perdão pelo lábio que só roça em sonho, pela língua que só fala em verso, pelo corpo que transpira, morto.
Peço perdão pelas noites sem dormir, pelas manhãs sem despertar, pelos dias sem viver.
E peço perdão por esse monstro que vem de dentro e corrói, mata, consome toda a vida, imperdoável: a culpa de pedir perdão pela vida jamais vivida.

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010

E eis que termina mais um ciclo. O outro começa. Novas possibilidades, novas pessoas, novos temores, novas dores...novos amores.

"Passa pelas portas à sua frente, sem fechar as que ficam para trás. Elas são sua história."

Só desejo que o novo ano seja...melhor. Melhor...

E que nada mais pareça errado...

sábado, 12 de dezembro de 2009

...para ama-lo



Quem será aquele a passos de distancia? Daqui posso vê-lo.
Sim, neste exato momento, lá está ele, sentado em sua cadeira, o boné na cabeça.

Meu mundo nunca passou de uma fantasia. Uma doce e triste fantasia...
Sonhos, amigos, desejos - eu mesmo - tudo um turbilhão de ilusões desesperadas de uma alma cujas esperanças não resistem ao tique-taquear opressor da passagem do tempo.

Olho através do vidro a chuva caindo lá fora.

Minhas asas se abrem, o vazio da noite me convidando para uma última dança.

O último vôo de Ícaro, e a cera de minhas asas sórdidas de desejos mundanos, sujos, perversos se derrete, enquanto meu corpo cai no negrume dos olhos desejados, olhos odiados.

Rio comigo mesmo.

Me dê um motivo, apenas um motivo...

Cansado de jogos de arco e flecha...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um Incêndio...

Minha arte fala de pessoas. E existem aquelas que nunca passarão de um rascunho. Um rascunho feito às pressas sobre uma folha de guardanapo.

A arte de fazer viver o que está num papel.

Como me fazem falta as pessoas feitas de palavra, tão ou mais reais que as de carne e osso.

Blanche...
Blanche...

"As pessoas delicadas devem usar cores delicadas - cores de asa de borboleta - e brilhar. Fazer uma mágica fugaz só para pagar o abrigo de uma noite"

"Não sei por quanto mais tempo vou conseguir dar o truque...."

Não sei...

Benny

Dentes rangendo.
Pele queimando.
Profusão de sensações.
O mundo atravessa minha pele, minha carne, meu ser.
Noite quente. As luzes vermelhas de um prostíbulo barato adentram minha mente.
Fumaça de cigarro. Risadas roucas. Não parem a musica! NÃO PAREM!!
Alcool, muito alcool.

"Ah, Benny..." murmuram.

A noite me abraça e tudo o que eu quero é -

Jazz. Uma guitarra, um sax, um beijo.

Benny. Benny. BENNY!!


"Give me a reason to love you
Give me a reason to be..."